As Claras 

A crítica fácil e ao discurso para platéias selecionadas.





3/6/2019

Meus caros leitores, acho que a minha paciência, como a de muita gente, deve estar se esgotando com esta turma que polemiza sobre os cortes na educação.

Acho que falta na realidade, vergonha na cara daqueles que deveriam conhecer a verdadeira realidade da situação. De deputados e senadores que se aventuram a crítica fácil e ao discurso para platéias selecionadas.

Também não quero entrar na polêmica do que faz o ministro da educação, que deveria sim ouvir mais pessoas de juízo, como o professor Ricardo Paes de Barros, do que dedicar seu tempo a provocações inúteis. O caso é muito sério para aceitarmos leviandades. Evidentemente que sou contra cortes na educação naquilo que não pode ser cortado. E que não é pouco. Mas não dá para aceitar manter do jeito que estava.

Aqui em Brasília como em várias cidades do Brasil, estudantes, professores e funcionários fazem greve ou protesto na quinta-feira. Em pleno dia útil. E vocês sabem porquê na quinta? Porque a maioria enforca na sexta e vira feriadão. Vocês querem contestar?

Há casos mais graves. Computa-se que alguns milhares foram às ruas. Mas vocês não imaginam os quase milhões que não foram trabalhar. Que ficaram em casa ou foram viajar. Não há corte do ponto. Sem contar que milhares de alunos simplesmente são forçados a aderir ao movimento e outros que querem estudar não podem por falta de professores nas salas de aula.

Se vocês acham que isto não é uma irresponsabilidade, e volto a citar deputados e senadores que são contra mudanças na educação brasileira, que aproveitem este comentário para uma reflexão. E que não é uma pesquisa só minha. A pesquisa é do professor Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, que eu já vinha lendo e relendo.

A pesquisa intitulada “Políticas públicas para redução do abandono e evasão escolar de jovens”,deveria ser preocupação dos nossos legisladores e autoridades do executivo. E também das autoridades econômicas tal o impacto que isto tem nos gastos do país. Em 2017, havia cerca de 10,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos de idade.

Desse grupo, 1,5 milhão de jovens não se matricularam no início do ano letivo. E dos mais de 8,8 milhões que fizeram a matrícula, 700 mil abandonaram a escola antes do final do ano letivo. Somado com as repetências: apenas 6,1 milhões de jovens - 59% do total - concluem o ensino médio na idade correspondente. Essa é a média nacional. Se o estudo for feito, por exemplo, entre jovens negros, residentes em áreas rurais do Nordeste e que a mãe é analfabeta, apenas 8% concluíram o ensino médio até os 18 anos.

E para esta turma que foi para as ruas agora, exigindo que o atual governo dê a solução, não enganem mais e não se enganem, pois nem todos somos fanáticos ou idiotas. “Nos últimos 15 anos, não houve melhora no porcentual de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola. A interrupção prematura dos estudos coloca os adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, mais expostos, por exemplo, a problemas de saúde, à delinquência e ao crime. Utilizando critérios elaborados pelo California Dropout Research Project para avaliar o custo social da evasão escolar nos Estados Unidos, o professor Paes de Barros fez uma estimativa para o caso brasileiro.

Os números impressionam. Tendo em vista que o contingente de jovens de 15 a 17 anos fora da escola é de 1,5 milhão de pessoas, a perda total para o País chega a R$ 151 bilhões por ano. Segundo o Panorama Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), os estudantes brasileiros faltam mais às aulas do que em 84% dos países avaliados.

Senhores, este não é um problema só de educação mas também de políticas sociais e de saúde, inclusive. É certo que muitas das nossas autoridades, legislativas, executivas e judiciais, rejeitem as nossas conversas. Mas prefiro assim do que ficar simplesmente explorando as vossas vaidades.


Direto de Brasília,


Fonte: José Woitechumas


Comente esta notícia:

Comente esta notícia:

Nome:      E-mail: 

Comentário:





Últimas noticias