As Claras 

É impossível fazer ciência com poucos recursos, diz vencedor do Prêmio Nobel





12/8/2017

Aaron Ciechanover disse que Israel está fazendo muito dinheiro com ciênciaAntonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Durante sua passagem por Brasília, o cientista Aaron Ciechanoven, natural de Haifa, Israel, disse que é impossível se fazer pesquisa e desenvolvimento com pouco dinheiro. Ele também diz que não se pode interromper os recursos para a ciência, pois trata-se de um investimento de longo prazo. “Israel está fazendo muito dinheiro com ciência”, disse.

Prêmio Nobel em Química em 2004, Ciechanoven começou a carreira como médico, mas decidiu seguir sua intuição e virar pesquisador. Seu grande feito foi detectar um sistema chamado Ubiquitina, responsável por eliminar moléculas de proteínas danificadas ou desnecessárias para o organismo, conhecimento que mais tarde, descobriu-se, está intimamente ligado ao câncer e às doenças degenerativas.

Durante suas palestras, Ciechanoven invoca os jovens a questionarem as regras estabelecidas, desafiarem seus professores, seguirem os seus sonhos e trabalharem com algo em que realmente acreditem. Nesta semana, ele fez uma palestra em Brasília e, ao final, uma estudante perguntou ao cientista premiado como ele fez para manter a motivação por 40 anos pesquisando o mesmo assunto, sem ter a certeza de que ia chegar a algum lugar. “Como ir de uma pequena questão para outra pequena questão?”, questionou ela.

Ciechanoven respondeu que é preciso ter foco, resiliência e coragem. “Se você quiser mesmo atingir um objetivo, você precisa estar muito focado. Mas isso também é muito relativo. Sua área de pesquisa pode ser exaurida e você terá que mudar para algo novo. É preciso se adaptar às circunstâncias”, respondeu. “Acho que essa pergunta é diferente de pessoa para pessoa. Eu sou um aventureiro, é minha natureza. Assumo riscos altos”.

Em um bate-papo exclusivo com a Agência Brasil, Aaron Ciechanoven falou sobre investimento em pesquisa (segundo dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2014, o Brasil investiu 1,27% do PIB nacional em pesquisa e desenvolvimento. Desde então, em decorrência dos cortes orçamentários para cumprimento do superávit, esse índice tem caído), retenção de pessoas altamente qualificadas e deu perspectiva sobre o futuro da medicina.

Fonte: Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil


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